Hoje, no blogue Cannactiva, trazemos-lhe uma história para contar à volta de uma fogueira, nestes dias frios, com a esperança de que o faça passar um bom bocado. Esperamos que gostem!
Os monges que sabiam andar sobre a água
Era uma vez um jovem que decidiu entrar num mosteiro em busca de paz e conhecimento. Pensou que, se passasse algum tempo em silêncio e meditasse, as suas preocupações e problemas desapareceriam.
No seu primeiro dia, o rapaz sentou-se junto ao lago com todas as suas esperanças e sonhos. Enquanto meditava e observava a água parada que ondulava à sua frente, viu algo extraordinário ao longe: dois monges estavam a caminhar sobre ela!
O jovem não podia acreditar nos seus olhos; devia ser uma ilusão. Os dois monges avançaram sobre a água numa impressionante demonstração de poder mental.
A partir de então, todas as manhãs, assim que a aurora rompia a escuridão da noite, o rapaz saía para ver os monges atravessarem o lago, caminhando silenciosa e graciosamente sobre as suas águas para encherem os seus jarros na fonte da outra margem.
Queria perguntar-lhes como o faziam, mas sabia que não devia interromper a sua meditação ou perturbá-los durante a sua viagem espiritual. Por isso, todas as manhãs, quando passavam por ele no regresso da recolha de água para o mosteiro, limitava-se a fazer uma vénia de profunda admiração.
O jovem aprendiz aguardava ansiosamente o momento de se pôr à prova: talvez um dia, em breve, também ele fosse capaz de caminhar sobre a água.
E foi assim que, numa manhã, o rapaz decidiu dar os seus primeiros passos na água. No entanto, falhou nessa primeira tentativa e em todas as que se seguiram.
Todas as manhãs, o aprendiz perseguia o seu objetivo com uma determinação renovada, mas acabava sempre com a roupa suja. Era um espetáculo a que todos os seus colegas se tinham habituado nas últimas semanas.
Os monges observavam o jovem enquanto ele tentava alcançá-los, dia após dia. Apesar de não terem dito uma palavra, os seus olhos estavam cheios de compaixão e compreensão.
Um dia, o monge mais novo virou-se para o seu companheiro mais velho e perguntou: “Vamos explicar-lhe onde estão as pedras no lago? O monge mais velho sorriu, mas abanou a cabeça.
Moral
Embora o ser humano possua intuição, instinto e uma capacidade de inteligência que transcende o raciocínio lógico, em muitas ocasiões a ansiedade e o desejo de atingir objectivos a todo o custo, sem ter em conta o processo natural de aprendizagem, impedem-nos de perceber o caminho lógico.
A história encoraja-nos a caminhar sem julgamentos, com descontração e bem-estar.
No final da história, a recusa do monge em explicar a verdade ao aprendiz é talvez uma reflexão sobre a correção (ou aconselhamento) dos outros ao longo do caminho. Talvez ele queira dizer-nos que os erros são uma parte necessária da aprendizagem.
Claro que há outras interpretações: que devemos seguir o nosso próprio caminho; que olhar demasiado para os outros nos faz perder tempo; que o que parece incrível pode, na verdade, ser algo muito simples; ou talvez a história seja apenas um lembrete do poder da mente para nos enganar, sendo a realidade diferente da nossa perceção.
Não conheço a verdadeira origem da história, penso que alguém ma explicou há muitos anos e eu próprio gosto de a partilhar de vez em quando. Espero que tenha trazido um sorriso à vossa cara!
Histórias para contar à volta da fogueira
É inverno, é frio, é tempo de procurar o calor do fogo e de partilhar histórias à luz de uma fogueira ou de uma vela com os seus entes queridos.
Contar e ouvir histórias acompanha a humanidade desde as suas origens. Estas histórias não só transmitem experiências e memórias, como também têm o poder de inspirar, entreter, provocar sonhos e deixar uma marca. E, por detrás de cada história, podem existir muitas interpretações, aprendizagens ou morais.
Noutras ocasiões, as histórias transformaram elementos comuns em histórias extraordinárias. Já o contámos na saudação de inverno deste ano, quando revelámos o segredo da Fénix, mas também temos outro exemplo nos Três Reis Magos, que são, com toda a probabilidade, uma referência às três estrelas brilhantes da constelação do Cinturão de Orion.

A magia de contar histórias continua tão cativante hoje como nos seus primórdios, quando as pessoas se sentavam à volta de uma fogueira para se aquecerem, trocando pequenas anedotas como que por acaso, abrigadas pela força e pelo calor do fogo.
Desejamos-lhe muitos momentos agradáveis e inspiradores. Saudações e até à próxima, Cannactivist!