O cérebro funciona através da comunicação constante entre as suas células nervosas, que depende de substâncias chamadas neurotransmissores. Um dos mais importantes é o glutamato, essencial para funções como a memória, a aprendizagem e o controlo dos movimentos. No entanto, a sua desregulação pode levar a graves problemas de saúde. Neste contexto, o CBD, um composto não psicoativo derivado da planta do cânhamo, surge como uma opção promissora para regular o glutamato.
Neste artigo, vamos explicar o que é o glutamato e como o CBD está a ser investigado na sua regulação e promoção da saúde do cérebro.
O que é o glutamato e porque é que é tão importante?
O glutamato é um aminoácido que os neurónios utilizam para comunicar. A sua principal função é ativar os neurónios, uma ativação neuronal, conhecida como neurotransmissão excitatória, que permite processos como a memória, as emoções e a aprendizagem (1).
O glutamato é como o “acelerador” do cérebro. Ativa os neurónios para processar informação, tornando-o essencial para funções como a memória e a aprendizagem, o controlo dos movimentos, as emoções e a perceção sensorial.
O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do cérebro, um composto químico envolvido na transmissão de informação sensorial, emoções, coordenação motora, memória e aprendizagem (2, 3, 4). Por esta razão, está presente em concentrações elevadas no cérebro.
Quando há demasiado glutamato no cérebro, este neurotransmissor pode sobre-estimular os neurónios e causar danos, conhecidos como “excitotoxicidade”, que está ligada a distúrbios neurológicos como a ansiedade, o stress, ou mesmo a doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer.

¿Qué tipo de emociones y sensaciones produce el glutamato?
¿Qué sucede si hay un descontrol del glutamato?

Como é que o CBD actua no cérebro?
El CBD o cannabidiol, a diferencia de otros compuestos del cannabis como el THC, no tiene efectos psicoactivos. En lugar de eso, interactúa con diferentes sistemas del cerebro para ayudar a mantener el equilibrio mental. Esto es lo que hace:
- Modulação do glutamato: Ajuda a reduzir a “sobrecarga” de glutamato, protegendo os neurónios de danos.
- Promove o relaxamento: Promove a ação de outro neurotransmissor chamado GABA, que actua como o “travão” natural do cérebro, contrariando a excitação do glutamato e ajudando ao equilíbrio entre a ativação e a inativação das células cerebrais.
- Efeitos neuroprotectores: Ao prevenir danos neuronais devido à excitotoxicidade, o CBD pode ser útil e está a ser investigado para utilização em condições como a epilepsia, doenças como Parkinson ou Alzheimer e outros distúrbios relacionados com danos cerebrais.
Que doenças é que o CBD pode ajudar?
O CBD tem mostrado resultados promissores no tratamento de certas formas de epilepsia, especialmente as resistentes a outros medicamentos, como a síndrome de Dravet.
Além disso, as suas propriedades estabilizadoras do humor e redutoras da ansiedade tornam-na uma opção interessante para problemas relacionados com o desequilíbrio do glutamato, como a ansiedade e o stress, ajudando a acalmar a sobre-ativação cerebral.
Embora os efeitos, a segurança e a dosagem adequada do CBD ainda estejam a ser investigados, os estudos mostram que este componente do cânhamo tem o potencial de melhorar o bem-estar mental, apoiando o equilíbrio químico do cérebro. São necessários mais estudos para compreenderes completamente como funciona e para confirmares a sua eficácia em diferentes condições.
CBD e Glutamato na ansiedade
O papel do glutamato na ansiedade é complexo. A ansiedade está relacionada com a biologia do medo condicionado e envolve diferentes circuitos cerebrais, incluindo a sinalização glutamatérgica (4).
As alterações do circuito excitatório-inibitório, envolvendo o neurotransmissor inibitório GABA e o glutamato, são responsáveis pelas perturbações de ansiedade. Por isso, os diferentes fármacos ansiolíticos centram-se na diminuição da excitabilidade neuronal, tornando os neurónios menos reactivos ao glutamato.
Canabinóides e equilíbrio mental: o seu impacto na regulação do glutamato
A planta da canábis contém numerosos compostos chamados canabinóides, que podem influenciar o sistema glutamatérgico através de vários mecanismos.
Efeitos mentais do THC no glutamato
O tetrahidrocanabinol (THC), o canabinóide psicoativo presente em grandes quantidades na marijuana, pode modular a libertação de glutamato através da ativação de receptores endocanabinóides chamados receptores CB1 no cérebro (10). Esta interação pode alterar a sinalização do glutamato em consumidores crónicos de marijuana (11), afectando assim os processos cognitivos. Além disso, foi demonstrado que o THC pode aumentar os níveis cerebrais de glutamato, o que pode estar relacionado com a psicose induzida por doses elevadas de marijuana (11).
Efeitos mentais do CBD sobre o glutamato
Ao contrário do THC, o CBD actua em diferentes áreas do cérebro e não apenas nos receptores endocanabinóides. A regulação do glutamato pelo CBD pode ocorrer através da ligação a outro tipo de recetor, o recetor transiente do potencial vanilóide tipo 1 ou TRPV1 (12).
O CBD pode também aumentar a ação do GABA, um neurotransmissor que promove a “inativação” dos neurónios. O CBD pode inibir os efeitos do glutamato aumentando a transmissão GABAérgica e antagonizando os receptores GPR55 localizados nos gânglios basais do cérebro (13). Além disso, o CBD pode melhorar o equilíbrio químico do cérebro, regulando a serotonina. Como agonista dos receptores serotoninérgicos, em particular dos receptores 5-HT1A da serotonina, o CBD pode suprimir a transmissão do glutamato e do GABA no córtex pré-frontal (14).
Globalmente, o CBD parece ter um impacto positivo nos sistemas de ativação e inativação do cérebro. O efeito do CBD em todos estes receptores pode modular as vias excitatórias e inibitórias do cérebro, exercendo efeitos antipsicóticos e antiepilépticos. Ao reduzir a excitotoxicidade induzida pelo glutamato, o CBD demonstrou ter propriedades neuroprotectoras, além de ajudar a estabilizar o humor e a função cognitiva.

Potencial terapêutico do CBD para as perturbações do glutamato
O CBD pode reduzir a libertação excessiva de glutamato no cérebro, protegendo assim os neurónios, o que é particularmente importante nas doenças neurodegenerativas. Além disso, a modulação da excitação-inibição neuronal pelo CBD torna-o um potencial tratamento para certos tipos de epilepsia, como a síndrome de Dravet (15).
O CBD pode também ser eficaz no tratamento da epilepsia resistente aos medicamentos associada à síndrome de Dravet, à síndrome de Lennox-Gastaut, à esclerose tuberosa e à epilepsia do lobo temporal (16, 17, 18). É importante notar que o CBD não ajuda todas as pessoas com epilepsia, uma vez que alguns estudos identificaram que certas pessoas não respondem aos seus efeitos (19).
Conclusão
O glutamato é um neurotransmissor envolvido numa variedade de funções cerebrais, e a sua regulação é fundamental para manter a saúde neuronal. O CBD oferece potencial terapêutico para ajudar a regular o glutamato e tratar condições médicas associadas à sua desregulação.
Embora a investigação sobre o CBD e o seu impacto nos neurotransmissores tenha fornecido informações valiosas, ainda há muito por descobrir. São necessários mais estudos para compreender plenamente os mecanismos subjacentes e para determinar a eficácia do CBD em várias condições clínicas relacionadas com o desequilíbrio do glutamato.
Nota: Este é um artigo informativo, não prescritivo e não se destina a prevenir, diagnosticar ou tratar qualquer doença. O seu conteúdo pode complementar, mas nunca deve substituir, o diagnóstico ou o tratamento de qualquer doença ou sintoma. Os produtos Cannactiva não são medicamentos e destinam-se a uso externo. Podem surgir novas provas científicas relevantes após a data de publicação. Consulta o teu médico antes de utilizares o CBD. O aconselhamento terapêutico deve ser personalizado e depende de uma avaliação profissional.
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