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CBD e Autismo: Estudos actuais e experiência clínica

Biossíntese de canabinóides

Por ocasião do Dia Mundial do Autismo, 2 de abril, apresentamos-te uma visão global do potencial terapêutico do canabidiol (CBD) para o tratamento do autismo. Foi retirado do Handbook of Principles of Clinical Cannabinology, um recurso de conhecimento inestimável sobre a canábis medicinal que acompanha os dados científicos com conhecimentos recolhidos da experiência clínica de médicos e profissionais de saúde.

Nota: Este é um artigo informativo e não se destina a prevenir, diagnosticar ou tratar qualquer doença. O seu conteúdo pode complementar, mas nunca deve substituir, o diagnóstico ou o tratamento de qualquer doença ou sintoma. Os produtos Cannactiva não são medicamentos e destinam-se a uso externo. Podem surgir novas provas científicas relevantes após a data de publicação. Consulte o seu médico antes de utilizar o CBD.

O CBD e a perturbação do espetro autista

A canábis medicinal, em particular o canabidiol ou CBD, surgiu como uma opção promissora para as pessoas com Perturbações do Espectro do Autismo (PEA). As interacções do CBD com o sistema endocanabinóide, os sistemas de neurotransmissores e as suas propriedades neuroprotectoras e anti-inflamatórias oferecem potenciais benefícios terapêuticos para o tratamento dos sintomas das PEA.

É importante esclarecer que o CBD não é atualmente um medicamento aprovado para as Perturbações do Espectro do Autismo. Embora as provas e as experiências individuais sejam promissoras, são essenciais provas científicas sólidas para a adoção generalizada e a integração das terapias à base de CBD na prática médica de rotina. Vamos ver que investigação e dados existem atualmente sobre o CBD e o autismo.

O que é a Perturbação do Espectro do Autismo (PEA)?

As Perturbações do Espectro do Autismo (PEA) englobam uma série de perturbações do desenvolvimento neurológico que se manifestam geralmente no início da vida e que coincidem frequentemente com deficiências cognitivas gerais (1). Os sintomas incluem dificuldades na comunicação e na interação social, comportamentos repetitivos e, em alguns casos, deficiência intelectual (2).

A PEA é aproximadamente quatro vezes mais comum no sexo masculino do que no feminino e pode ser acompanhada de ansiedade, depressão, insónia, epilepsia, disfunção intestinal e perturbação de défice de atenção e hiperatividade (PHDA).

Relação entre o autismo e o ambiente: autismo e poluição

Estudos recentes sugerem que tanto os factores genéticos como os ambientais podem contribuir para as PEA. (4) No entanto, ainda não é claro até que ponto os factores ambientais influenciaram o recente aumento de casos de PEA. Os dados contraditórios da literatura sobre o papel dos factores ambientais podem ser atribuídos a problemas metodológicos, como a seleção dos poluentes a analisar e a sua quantificação.

Estudos europeus não registaram qualquer associação entre a exposição materna à poluição atmosférica e as PEA nas crianças (5,6). Em contrapartida, vários estudos realizados nos Estados Unidos e noutros países encontraram uma ligação.

Além disso, é crucial determinar se existe uma janela de tempo crítica de exposição que esteja particularmente associada ao aparecimento de PEA nas crianças. Numerosos estudos investigaram a correlação entre o autismo e vários poluentes atmosféricos, centrando-se em substâncias como o ozono (ozono troposférico), o chumbo, as partículas (PM), o monóxido de carbono (CO), o dióxido de azoto (NO2) ou o dióxido de enxofre (SO2).

Tratamentos para o autismo

Existem várias modalidades de tratamento para o autismo, muitas vezes combinadas. Entre elas estão: (11)

  • Intervenções comportamentais e de desenvolvimento
  • Intervenções educativas
  • Intervenções sócio-relacionais
  • Intervenções farmacológicas
  • Intervenções psicológicas
  • Terapias complementares e alternativas (por exemplo, dietas especiais, terapia artística, mindfulness).

Tratamento farmacológico

Os tratamentos farmacológicos não curam as PEA, mas visam controlar sintomas específicos. Alguns medicamentos têm como alvo a hiperatividade, os comportamentos autolesivos ou os problemas relacionados com a atenção, enquanto outros tratam doenças comórbidas como a ansiedade, a depressão, a epilepsia e os problemas gastrointestinais, que constituem um desafio particular no tratamento das PEA (11).

Potencial do CBD no tratamento do TEA

Nos últimos anos, o CBD ganhou atenção como um potencial tratamento para as PEA, e muitos médicos de vários países incorporaram-no nas suas estratégias terapêuticas. No entanto, a sua utilização deve ser cuidadosamente ponderada e monitorizada por profissionais de saúde.

Mecanismo de ação

Pensa-se que o CBD pode ser potencialmente útil no tratamento das PEA, devido à sua interação com o sistema endocanabinóide e à sua influência em vários sistemas de neurotransmissores, como o GABA, a serotonina e a dopamina. (12)

O CBD apresenta propriedades neuroprotectoras, que podem ser relevantes no autismo, onde pode haver alterações no desenvolvimento e função do cérebro. Além disso, alguns estudos sugerem que a neuroinflamação pode desempenhar um papel na fisiopatologia das PEA. O CBD também tem propriedades anti-inflamatórias e pode modular a resposta imunitária, o que pode ajudar a reduzir a inflamação no cérebro e a aliviar os sintomas associados.

Potenciais benefícios do CBD no autismo

O CBD pode ajudar a aliviar os sintomas de ansiedade e stress frequentemente sentidos pelas pessoas com PEA, e pode também ajudar a controlar os comportamentos problemáticos associados ao autismo, como a agressão, a agitação e a irritabilidade. Os seus efeitos calmantes podem reduzir o comportamento disruptivo e melhorar a estabilidade geral do humor.

Além disso, muitas pessoas com ASD sofrem de perturbações do sono e o CBD tem demonstrado melhorar a qualidade do sono.

Embora as convulsões não sejam um sintoma essencial do autismo, ocorrem numa proporção mais elevada em indivíduos com PEA do que na população em geral. O CBD foi aprovado como tratamento para certos tipos de epilepsia, e as suas propriedades anticonvulsivas podem beneficiar as pessoas com autismo que sofrem de convulsões como uma condição comórbida. Neste ponto, também vale a pena mencionar que o CBD interage com certos medicamentos para a epilepsia, como o Topiramato, a Rufinamida, a Zonisamida e a Eslicarbazepina. Por conseguinte, sublinha a importância da prescrição e do controlo por um médico especialista.

Efeitos secundários do CBD

Em termos de efeitos secundários, em comparação com as intervenções farmacológicas tradicionais, o CBD é geralmente bem tolerado e tem um perfil de efeitos secundários favorável. Isto torna-o uma opção potencialmente atractiva para as pessoas com PEA que podem ser sensíveis aos efeitos secundários dos medicamentos convencionais. No entanto, vale a pena lembrar que o CBD não é um medicamento aprovado para o TEA neste momento, mas ainda está em fase de investigação. Por isso, consulta o teu médico especialista sobre os possíveis tratamentos para o autismo.

Por outro lado, não é aconselhável a utilização de produtos de canábis que contenham THC, como a marijuana ou preparações caseiras de canábis. No caso do autismo, é preferível utilizar CBD puro e evitar quaisquer vestígios de THC, especialmente nas crianças. O THC é psicoativo e pode causar psicose e efeitos adversos indesejáveis. A utilização de produtos com THC deve ser cuidadosamente supervisionada por um médico especialista, especialmente em menores.

Experiência clínica: CBD e autismo

O Dr. Mauro Cardoso Lins é um médico brasileiro com vasta experiência no tratamento de pacientes com TEA e TDAH, especialmente crianças e adolescentes. Entrevistado pela Cannabiscientia, o Dr. Lins diz-nos que a sua experiência clínica com o CBD para tratar casos ligeiros a moderados e graves de autismo é, até agora, entusiasmante.

De acordo com a sua experiência e com os dados recolhidos, o CBD é eficaz para melhorar aspectos do comportamento, sobretudo nos casos iniciais e ligeiros-moderados, mas também nos casos mais graves.

As melhorias observadas incluem:

  • Diminui a agressividade (provavelmente o resultado mais importante),
  • Aumenta a capacidade de atenção,
  • Aumenta a comunicação e a sociabilidade,
  • Melhora o desempenho das tarefas.

Produto de CBD utilizado, dosagem, vias de administração e duração da utilização de CBD

Esta secção apresenta as informações fornecidas pelo Dr. Lins na sua entrevista para a Cannabiscientia. Esta informação baseia-se na sua experiência clínica e NÃO É PRESCRITIVA.

O CBD não é um medicamento aprovado para o autismo e está atualmente a ser investigado. O aconselhamento e a supervisão de um médico especialista são essenciais no tratamento do autismo. Consulta o teu médico especialista antes de utilizares o CBD.

Produto CBD utilizado

O Dr. Lins utiliza óleo de CBD puro isolado e CBD de largo espetro de grau farmacêutico.

Dose

Ao determinar a dosagem de CBD, o Dr. Lins segue o princípio de“começa devagar e vaidevagar”. No caso das crianças, a dose inicial que utiliza é de 15 a 25 mg por dia, administrados 2 ou 3 vezes por dia, em função dos sintomas e da idade do doente. A dose é então aumentada gradualmente até se atingir o efeito terapêutico desejado, com o mínimo de efeitos secundários.

Duração

São efectuadas avaliações periódicas de acompanhamento a cada 2 a 3 meses para avaliar o progresso e ajustar a dose, se necessário.

Vias de administração

Em termos de administração, o Dr. Lins sugere a utilização de CBD sublingual, sempre que possível com o estômago vazio. Em alternativa, o CBD pode ser incorporado nos alimentos depois de uma refeição para mascarar o seu sabor, dependendo do nível de agressividade e adesão do doente.

Que controlos são recomendados no CBD e no autismo?

O Dr. Lins recomenda a monitorização das enzimas hepáticas através de análises ao sangue no início do tratamento e, periodicamente, de 6 em 6 meses. Além disso, a avaliação das alergias alimentares e dos problemas gastrointestinais pode fornecer informações valiosas para o tratamento de determinados casos.

Conclusões

A PEA (Perturbação do Espectro do Autismo) é uma perturbação complexa com uma etiologia pouco clara, provavelmente resultante de uma combinação de factores genéticos, ambientais e psicológicos. Os tratamentos actuais centram-se principalmente na melhoria do comportamento, da sociabilidade e da integração das crianças afectadas. As intervenções farmacológicas são muitas vezes limitadas pelos efeitos secundários e, normalmente, centram-se na gestão das co-morbilidades.

Com a aprovação da canábis medicinal, em particular dos produtos à base de CBD (canabidiol), em muitos países, o CBD surgiu como uma opção de tratamento promissora em numerosos casos, apoiada pelas experiências em primeira mão de médicos como o Dr. Lins. Infelizmente, a falta de estudos clínicos com um maior número de pacientes significa que, até à data, não é possível chegar a conclusões definitivas para recomendar o CBD para as PEA.

Perspectivas futuras

Embora as provas anedóticas e as experiências individuais sejam promissoras, são essenciais provas científicas sólidas para a adoção generalizada e a integração das terapias à base de CBD na prática médica de rotina.

O Handbook of Principles of Clinical Cannabinology (Manual de Princípios de Cannabinologia Clínica ) – de onde foi retirado este artigo – é um recurso nesta tarefa, fornecendo uma visão abrangente do potencial terapêutico dos canabinóides. Se és um profissional de saúde que procura conhecimentos sobre o potencial terapêutico dos canabinóides, este manual fornece as ferramentas necessárias para um tratamento abrangente do paciente.

Nota: Este é um artigo informativo baseado na investigação científica mais recente. Não se destina a prevenir, diagnosticar ou tratar qualquer doença. O seu conteúdo pode complementar, mas nunca deve substituir, qualquer diagnóstico ou tratamento de qualquer doença ou sintoma. Os produtos Cannactiva não são medicamentos e destinam-se a uso externo. Os autores e a Cannactiva não podem ser responsabilizados por qualquer uso indevido desta informação. É de notar que podem estar disponíveis novas provas científicas após a data de publicação. Por isso, consulta o teu médico antes de usares CBD ou se tiveres alguma dúvida sobre isso.

Referências e outras informações
  1. Zamberletti, E., Gabaglio, M., Parolaro, D., 2017. O sistema endocanabinóide e os distúrbios do espetro do autismo: insights de modelos animais. Int. J. Mol. Ciência. 18, 1916.
  2. Associação Americana de Psiquiatria, 2013. Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, 5ª edição. Imprensa da Associação Americana de Psiquiatria, Washington, DC
  3. Jinan Zeidan, Eric Fombonne, Julie Scorah, et al. Prevalência global do autismo: uma atualização da revisão sistemática. Res. Autismo 2022 maio;15(5):778-790.
  4. M.C. Flores-Pajot, M. Ofner, M.T. Do, E. Lavigne, P.J. Villeneuve. Childhood autism spectrum disorders and exposure to nitrogen dioxide, and particulate matter air pollution: a review and meta-analysis. Environ. Res., 151 (2016), pp. 763-776.
  5. T Gong, C Dalman, S Wicks, et al. Exposição perinatal à poluição atmosférica relacionada com o tráfego e perturbações do espetro do autismo. Environ Health Perspect, 125:119-126
  6. Guxens M, Ghassabian A, Gong T, Garcia-Esteban R, et al. Exposição à poluição atmosférica durante a gravidez e características autistas na infância em quatro estudos de coorte europeus de base populacional: o Projeto ESCAPE. Environ Health Perspect 124:133-140;
  7. HeeKyoung Chun, Cheryl Leung, Shi Wu Wen, Judy McDonald, Hwashin H Shin. Exposição materna à poluição atmosférica e risco de autismo em crianças: uma revisão sistemática e meta-análise. Poluição ambiental. Volume 256, janeiro de 2020, 113307
  8. Frédéric Dutheil, Aurélie Comptour, Roxane Morlon, et al. Perturbação do espetro do autismo e poluição atmosférica: uma revisão sistemática e uma meta-análise. 2021 Jun 1;278:116856.
  9. F Gorini, F Muratori, MA Morales. O papel da poluição por metais pesados nas perturbações neurocomportamentais: um enfoque no autismo. Revê o Journal of Autism and Developmental Disorders volume 1, páginas 354-372 (2014)
  10. Adams, J. B., Audhya, T., McDonough-Means, S., Rubin, R. A., Quig, D., Geis, E., et al. (2012). Estado toxicológico de crianças com autismo vs. crianças neurotípicas e a associação com a gravidade do autismo. Biological Trace Element Research, 151(2), 171-180.
  11. Melissa DeFilippis, Karen Dineen Wagner. Tratamento da Perturbação do Espectro do Autismo em Crianças e Adolescentes. Psychopharmacol Bull. 2016 Aug 15; 46(2): 18-41.
  12. Adi Aran, Dalit Cayam Rand. Tratamento com canabinóides para os sintomas da perturbação do espetro do autismo. Expert Opin Emerg Drugs. 2024 Jan 16:1-15.

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